11 de dez. de 2013

Como discutir a homossexualidade com crianças



A homossexualidade é tema cada vez mais frequente e muitas vezes pode surgir a dúvida, como abordar o assunto com as crianças?

O autor e ilustrador alemão Michael Willhoite dá a sua resposta como vocês podem ver logo abaixo. Esse é um daqueles textos que valem a pena serem compartilhados e distribuídos entre crianças e adultos que ainda tem dificuldade em lidar com o tema.


O último quadrinho é simples e direto, veja.



6 de dez. de 2013

Obrigado e adeus Mandela




Nelson Mandela nos deixou.  

E deixou também sua história de vida com a qual podemos aprender muito.

Mandela foi um grande estadista, um homem que desafiou aqueles que detinham o poder e que muitas vezes deixou sua vida particular em segundo plano para lutar pelos ideais de igualdade entre os povos, independentemente de sua raça e origem.

Como psicólogo o que me chama a atenção na história de vida deste homem é a sua capacidade de resignificar sua própria história.

Este foi um homem que passou 27 anos de sua vida encarcerado, viveu dentro de um regime segregacionista (o aparthaid) e que antes de ser preso passou por uma temporada no exterior aprendendo técnicas de luta armada para resistir a este regime.

Este mesmo homem, uma vez liberto tornou-se presidente de seu país, acabou com o aparthaid e teria motivos de sobra para querer vingar-se de seus carrascos.

Mandela recusou-se a usar seu passado como desculpa para incitar a vingança e criar, quem sabe, um aparthaid às avessas, retirando da minoria branca a seus direitos, exatamente como esta havia feito com os negros durante as últimas quatro décadas.

Mandela olhou para o futuro e a nação que ele gostaria de construir. Uma nação onde essas desigualdades não existissem, mais uma vez se colocando contra muitos, mas fiel a seus princípios.

E quantas vezes não utilizamos fatos que ocorreram em nosso passado para justificar o mal que fazemos ao outro? E quantas vezes não utilizamos o nosso passado para nos colocarmos na posição de vítimas?

De que maneira estamos utilizando a nossa própria história?

Obrigado e adeus Mandela.
                                                                                              






Abaixo um trecho do filme Invictus em que Mandela arrisca seu poder político com os próprios companheiros ao defender que as cores do time de rúgbi do país sejam mantidas. O rúgbi e as cores do time são algo valorizados pela minoria branca.
Ele está em inglês, mas este é um excelente filme para quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre esse homem excepcional e sobre este momento histórico.








4 de dez. de 2013

Os 5 maiores arrependimentos antes da morte



A enfermeira Bronnie Ware cuidou durante anos de pacientes no leito de morte. com base na sua experiência ela escreveu o livro “The Top Five Regrets of the Dying – A Life Transformed by the Dearly Departing”, que trata dos cinco arrependimentos mais comuns manifestados pelas pessoas antes de morrerem. 
Segundo a autora são eles:

1 . Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim.
2 . Eu gostaria de não ter trabalhado tão duro.
3. Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos .
4 . Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.
5. Eu gostaria que eu tivesse me deixado ser feliz.

Aproveitando o texto propomos algumas perguntas para reflexão:
  1. Você tem sido fiel a si mesmo?
  2. Tem se permitido ser feliz?
  3. Tem conseguido dizer aos outros o que sente?
  4. Quanto tempo tem passado com a família e amigos?
  5. E qual é o arrependimento que você não toleraria ter de maneira alguma?

Dedique algum tempo a esta reflexão, pois como já dizia o poeta Vinícius de Moraes em seu Samba da Benção:

"A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!"




Ouça a música: 



27 de nov. de 2013

Depressão, ansiedade e arte





Michal Macku é um artista tcheco que a partir de seu trabalho tenta traduzir em imagens sentimentos, sensações e emoções muitas vezes difíceis de dar nome.

E você, já se sentiu assim?






















Fonte:

http://catracalivre.com.br/geral/saude-bem-estar/indicacao/ansiedade-e-depressao-convertidas-em-arte/

Links:

http://www.michal-macku.eu/


18 de out. de 2013

Fazendo escolhas!



O tempo todo estamos fazendo escolhas: que roupas usaremos, que caminho vamos pegar, o que vamos comer... Algumas são mais fáceis e simples, outras mais complexas, por vezes demandam muito de nosso tempo, energia e reflexão devido a importância e consequências que terão em nossas vidas.

Além de termos que escolher, existe uma pressão muito grande (dentro e fora de nós mesmos!) para "escolhermos a coisa certa"! Eu particularmente não sei muito bem o que isso significa! Uma escolha que nos dê felicidade para sempre? Como isso é possivel se mudamos tanto ao longo do tempo!!??? Uma escolha que não implique nehum tipo de frustração ou aspecto negativo? Como se até mesmo a melhor das alegrias por vezes trazem consigo parte de descontentamento ou estresse (tensão e ansiedade, geralmente com uma conotação negativa). O que, então, significa escolher corretamente????

Penso que não há escolhas certas ou erradas, mas escolhas conscientes, ou seja, aquelas que refletimos sobre as opções de forma realista, sobre as consequencias de nossas escolhas para nós, nosso ambiente a a sociedade e o quanto elas se relacionam com quem somos e o que queremos para nossa vida. Assim, Para sermos capazes de fazer uma escolha consciente é necessário:

·       Maturidade – que varia conforme a escolha a ser feita, por exemplo: para escolhermos a roupa que iremos usar, precisamos de uma maturidade menor do que escolher se devemos nos casar, ou qual carreira seguir. A maturidade, além da capacidade de refletir, envolve também a consciências sobre si mesmos (nos conhecermos).

·        Consciência sobre o que se vai escolher – por exemplo, para escolher um sabor de sorvete, necessitamos conhecer os sabores existentes na sorveteria, para escolher as profissões, precisamos conhecer os cursos, a atuação, perfil do profissional, mercado de trabalho e outros.

·       Fazer renúncias – ao escolhermos uma roupa para usar na festa, estamos dizendo “não” a todas as outras roupas possíveis. Todas as nossas escolhas envolvem um “sim” e diversas renúncias.

·        Assumir responsabilidades – se eu decido que não vou estudar para a prova, sou responsável pelas consequências, como por exemplo, a nota, ou mesmo uma reprovação. Liberdade para escolher envolve ser capaz de se responsabilizar pessoalmente pelas consequências de nossas escolhas.

     Portanto, percebemos que escolher trata-se de um processo de reflexão e decisão complexo, que nos leva a possibilidade de viver de forma autônoma, responsável e consciente.

    Escolher especificamente a profissão significa decidir o que estudar, o estilo de vida que teremos, com o que iremos trabalhar, qual será nosso papel na sociedade e quem queremos ser. Significa construir sua identidade profissional, seu papel no mundo!

Por fim, quero apresentar um pequeno vídeo que elaborei inspirado no filme "Alice no país das maravilhas" de 2010, com direção de Tim Burton. A meu ver, o filme se trata de uma grande metáfora sobre o processo de autoconhecimento e de escolher seu papel no mundo. Sobre como a Alice teve que mergulhar em mundos desconhecidos e profundos (dentro de si mesma na verdade!) para descobrir quem ela é de verdade; descobrir coisas sobre si mesma (suas características, seus desejos...) e reunir a coragem necessária para ser quem ela realmente deseja!

Fica o convite para assistir ao filme com este olhar que proponho. E segue o vídeo para favorecer a reflexão sobre as nossas escolhas.

Abraços.



2 de out. de 2013

O que é terapia?



Essa é uma pergunta para a qual existem inúmeras respostas técnicas de especialistas muito mais gabaritados que eu, portanto não cairei no erro de tentar explicar de forma técnica o que é a terapia psicológica, darei a minha interpretação deste processo.

Da forma como eu compreendo, e trabalho, terapia é um processo de despertar para a vida.


Nos anos em que venho atuando na área clínica tive a oportunidade e o privilégio de trabalhar com pessoas que chegaram desesperançadas, perdidas, prisioneiras de seus próprios medos, de seu passado e de compromissos assumidos sabe-se lá quando, com quem ou porque, mas mesmo nos piores casos, é possível enxergar a vida pulsando lá dentro, um pequeno fragmento de vida que brilha dentro de um sonho, de um desejo ou um projeto.

E é para lá que caminhamos. A partir de um processo de autoconhecimento, apoio, questionamentos, rememoração e ressignificação do passado, trazendo para o presente fatos deste passado, mas que continuam interferir na vida cotidiana.

Nesta jornada encontramos demônios que muitas vezes não gostamos de encarar, mas também lembramos dos pontos fortes e qualidades que a pessoa possui e pode não estar valorizando devido ao seu momento atual, além disso oferecemos novas interpretações e pontos de vista sobre fatos, sentimentos e sensações.

Portanto terapia não é um trabalho fácil, mas com muitos benefícios não só ao final do processo, mas ao longo do caminho. 

Para finalizar gostaria de dizer o que digo a todos com quem trabalho, terapia não é só uma hora na semana no consultório, mas um processo que leva uma vida e que em alguns momentos precisaremos de ajuda de um profissional, para que possamos viver a nossa vida de forma mais saudável, equilibrada e de acordo com quem somos e sonhamos ser.

18 de set. de 2013

Sobre as gerações

Quando estamos no processo de escolha da Profissão, nos deparamos com uma série de modelos e até mesmo preconceitos acerca do trabalho e relações profissionais.

Este vídeo se propõe a explicar um pouco sobre as diferenças entre as gerações, no que se refere ao trabalho e atitude frente a vida de maneira geral. Assim, podemos compreender parte das nossas expectativas e também de nossos familiares ou da sociedade acerca das nossas escolhas profissionais.

Compreender a busca da felicidade e do prazer a partir do trabalho, tão presente na nova geração denominada "milenials" ou geração "y" e, ao mesmo tempo, com idéias e propostas tão inovadoras para as gerações anteriores.



26 de ago. de 2013

Conheça homens e mulheres que optaram por uma vida mais simples



Advogada Débora Paglioni, de 23 anos, 
acredita que ser simples é uma postura 
que tem a ver com bem-estar e consciência
 (Foto: Estado de Minas)
Você pode ter passado a vida inteira, ou parte dela, ouvindo a expressão: tempo é dinheiro. Conhecido de perto um universo em que ter do “bom e do melhor” é sinônimo de uma vida sossegada. Também deve ter escutado, e acreditado, que comprar roupas, sapatos e supérfluos alivia o estresse, principalmente, das mulheres durante a tensão pré-menstrual (TPM).

23 de ago. de 2013

E se o dinheiro não fosse o mais importante?

Aqui vai um vídeo muito interessante, para os que estão ou não buscando Orientação Profissional!

Possibilita uma reflexão importante acerca das escolhas profissionais: o que escolhemos, por que escolhemos e onde as nossas escolhas nos levam.

Fica o convite para assistir ao vídeo, questionar suas escolhas e posicionamentos profissionais... e poder apostar com toda fé naquilo que realmente te realiza!




22 de abr. de 2013

A passividade do brasileiro




Matéria da revista época de 2007, assinada por Martha Mendonça e Ronald Freitas e traz o resultado de uma pesquisa feita pelo psicólogo Fábio Iglesias, que estudou a dificuldade do brasileiro em reclamar.

Diz o pesquisador que um dos principais motivos de não o fazermos tem a ver com uma noção mais coletivista de sociedade. Diz ele que somos orientados a agir a partir do que acreditamos ser o que o outro pensa ou quer, portanto se ninguém vai reclamar porque logo eu vou bancar o “chato”.

Outros fatores como o jeitinho, a impunidade, a falta de divulgação de ações dessa natureza e nosso antecedente histórico são levantados como influenciadores de tal comportamento.

O que nos interessa é pensar como isso influencia o indivíduo.

  • Será que faz bem ‘engolirmos tantos sapos’ em nome de um bem estar geral?
  • Como nos sentimos quando dizemos sim para o que se quer dizer não? 
  • E quando vemos uma injustiça e não a denunciamos?

Esse silêncio pode até favorecer a construção de bons relacionamentos, mas chega um momento em que é preciso falar, gritar, se queixar, é preciso se expor e é preciso agir.

Tanto em termos individuais, quanto coletivos, isso é extremamente importante para a manutenção da saúde psíquica e física e para que possamos caminhar no sentido de uma sociedade mais justa e saudável.




Quer saber mais, clique no link da matéria:

Por que o brasileiro não reclama?

E nos posts relacionados: 



Nós a sociedade

11 de abr. de 2013

Pequena história sobre responsabilidade



A responsabilidade não é algo tão simples de se explicar ou de percebermos quando estamos envolvidos em uma situação. É sempre mais fácil acharmos um culpado, “um cristo”. Alguém que receba em seus ombros toda a carga de responsabilidade pelas coisas não estarem dando certo em nossa vida.

Achar este “cristo” é ótimo, dessa forma não temos que olhar as nossas próprias falhas, erros ou defeitos, precisamos apenas nos queixar. Por um lado isso é bom, reconhecer que somos falhos em alguns momentos ou que de alguma forma colaboramos para que as coisas não dêem certo em nossas vidas pode ser um processo muito doloroso. Por outro lado assumir a responsabilidade de nossas ações e escolhas pode nos dar mais força e tranquilidade. Quando assumimos a responsabilidade, tanto nos erros quanto nos acertos, tomamos as rédeas de nossas vidas nas mãos.

Quero contar algo que aconteceu comigo outro dia.

Era uma quarta-feira e eu estava sem dormir direito, sem comer direito e com um dia cheio pela frente. Mas irei focar em apenas em um destes compromissos. Buscar minha filha na casa dos meus pais e estar de volta em casa às sete horas da noite.

Irei deixar de lado os motivos do porque deste horário, mas era importante que ela estivesse em casa as sete. Por isso prometi a minha esposa que cumpriria o horário combinado. E aí está o problema. Eu e minha esposa, por razões que não interessam neste momento, entendemos o tempo de maneira um pouco diferente. Para ela sete horas, são sete horas. E para mim, sete horas podem ser sete, sete e quinze, ou como costumo dizer, sete e pouquinho. Já percebendo que eu iria utilizar o meu “relógio” para trazer minha filha no horário, ela ficou irritada comigo e eu, por meu lado, fiquei irritado porque, na minha cabeça ela não percebia que eu tinha uma porção de coisas para resolver.

Dessa forma lá fui eu. Durante boa parte do caminho, fui remoendo aquela raiva e pensando como ela era intransigente, como ela não olhava para mim e para as minhas necessidades e que a culpa de eu estar preso no trânsito infernal das seis horas era toda dela. Eu havia achado o meu “cristo”.

Porém, em determinado momento comecei a pensar que poderia ter feito diferente. E que fora eu quem assumira o compromisso de trazer a nossa filha para casa naquele horário. Fazer as coisas daquela forma havia sido uma escolha minha, e se estava preso no trânsito das ruas apertadas de São Caetano, era porque eu tinha escolhido assim. E já que eu havia escolhido dessa forma e que havia assumido aquele compromisso eu iria cumpri-lo, da melhor maneira possível. Então a raiva se dissipou e eu continuei o meu caminho.

Vejam, eu não deixei de estar cansado, estressado, mal alimentado e preso no trânsito. E tão pouco deixei de ter os meus compromissos. Eu apenas assumi a responsabilidade por meus atos. Isso me deu força e tranqüilidade para fazer o que eu me comprometi a fazer. Se por outro lado, eu tivesse continuado a por a culpa na minha esposa por toda aquela situação, isso poderia levar a uma briga e um mal estar desnecessário.

Resolvi citar este exemplo de algo corriqueiro para mostrar que podemos assumir a responsabilidade por nossos atos a todo momento, e não só em momentos chave de nossas vidas, como a escolha da profissão, a decisão de se casar, de ter filhos, de se separar, se aposentar, e tantas outras. É muito mais uma atitude que assumimos perante a vida.

É claro que não é fácil e nem acontece da noite para o dia, mas com esforço e constância as coisas vão ficando mais fáceis.

Para terminar a história, cheguei em casa as 07hs10 e depois de uma noite de caras fechadas, fizemos as pazes no dia seguinte.

Nós a Sociadade



Na maioria das vezes em que inicio, participo ou assisto uma discussão sobre a sociedade algo me incomoda profundamente.
E são várias as questões que me incomodam: o que é ético e o que está dentro da lei? As desigualdades que proporcionamos e produzimos e a vontade de ajudar os menos favorecidos. As pessoas reduzidas a números e a quantos números mais ela pode gerar.
O que traz esperança é que não sou o único a sentir o gosto amargo disso tudo, sou apenas um dos muitos que estão cada vez mais enjoados e enojados de ver tanta falta de respeito, tanta hipocrisia e tanto medo de fazer o certo.
Não sou exemplo nem tampouco o cara que faz tudo certo e que não sofre com arrependimentos e com os “e ses” e que vive a sonhar com maneiras mágicas de fazer tudo entrar nos eixos. Estou convencido de que não tenho as respostas e estou certo de que se alguém as tem deve estar tão louco quanto Darwin ao não querer apresentar sua teoria para o mundo(http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin).

Mesmo assim eu quero propor algo, ou melhor, quero sugerir uma pequena mudança no modo como falamos/pensamos a sociedade.

Já ouvi e falei um milhão de vezes: “A sociedade produz monstros com os quais não consegue lidar”, “As pessoas não se respeitam”, “Eles se comportam como animais no trânsito”.

O que proponho é algo simples e que apesar de simples desde que o adotei já perdi algumas noites de sono.

A mudança é dizer “nós”. Afinal de contas “nós” somos a sociedade e “nós” podemos ser as “pessoas” ou os “eles” para alguém.

Portanto: “Nós produzimos monstros com os quais não sabemos lidar”, “Nós não nos respeitamos” e “Nós nos comportamos como animais no trânsito”.

Somos todos produtos da sociedade e são as condições materiais deste mundo, que irão moldar nossa consciência, que irão influenciar as nossas ações e o nosso julgamento diante de um fato ou acontecimento. 

Porém, somos também produtores e parte ativa desta mesma sociedade. Influenciamos o comportamento dos outros à nossa volta e a nossa forma de julgar o outro irá influenciar o julgamento dos demais. Nós podemos simplesmente reproduzir algo, quando repetimos um discurso que já ouvimos um milhão de vezes sem nos questionar sobre o que ele significa, ou podemos produzir algo novo quando questionamos, nos indignamos, ou alteramos algo com o qual não concordamos. 

A responsabilidade pela mudança reside em nós mesmos e esta é nossa benção e nossa maldição.
Nós somos a sociedade. Nós somos o povo, nós fazemos parte desse mundo e somente nós podemos mudá-lo.

A estrada é longa, o caminho é deserto e o lobo mau se esconde aqui por perto. É, não é uma caminhada fácil, mas como diz Seth Godin em palestra feita no TED, “o que os seres humanos fazem é alterar o status quo” e este é um tempo de enormes mudanças. (http://www.ted.com/talks/seth_godin_on_the_tribes_we_lead.html)

Autoconhecimento

 Foto: Luiz Boscardin

Tenho percebido como o autoconhecimento, além de ser matéria prima no trabalho de psicoterapia, passa também a ser valorizado nas organizações.

O líder de hoje nas organizações não é mais aquele que manda e é obedecido por quem tem juízo. Hoje as pessoas questionam mais, querem saber o porque daquilo que estão fazendo e o mais importante, se não estão felizes no lugar em que estão simplesmente vão embora e arrumam um novo emprego e nesse processo as organizações tem perdido muitos talentos.

No consultório nem se fala, o autoconhecimento é peça chave de todo o processo, pois no final das contas não estamos ali para ‘consertar’, o marido, a esposa, os filhos, o chefe, os pais, etc, estamos ali para refletir, questionar e resignificar como a pessoa que está ali à nossa frente relaciona-se com cada um destes outros atores, para aí sim pensarmos estratégias de como fazer diferente, na expectativa de assim gerar respostas diferentes da outra parte.

Pois bem, mas o que quero discutir aqui e o que venho pensando é como fazer isso? Como dar o primeiro passo em direção ao autoconhecimento?

A resposta que me surgiu pode parecer simples e banal, mas é algo por vezes difícil de se colocar em prática, como todo passo quando estamos lidando com a alma humana.

O primeiro passo é se perguntar: ‘como estou cumprindo as minhas tarefas? Como estou me relacionando com aquela pessoa, ou equipe? Como estou me relacionando com meu chefe, meu pai, esposo, esposa? Será que posso fazer diferente? Será que posso fazer melhor?’

Podemos responder a estas questões de forma rápida e simples: ‘Bem. Muito bem. Excelente. Claro sempre dá pra fazer melhor!’ Se por um acaso você respondeu a estas perguntas de forma rápida e rasteira, bom então a próxima pergunta é: ‘Porque você não está se deixando pensar nem um pouquinho sobre o tema? Do que você está se defendendo?’

Quando nos questionamos estamos admitindo para nós mesmos e para os outros que somos falhos e que não somos perfeitos como gostaríamos de ser, ou que não somos o profissional que a última edição de uma revista diz que eu devo ser para alcançar o sucesso, ou a mãe perfeita para meus filhos, ou qualquer outro modelo ideal de humano que tentam nos empurrar goela abaixo.

Isso no consultório talvez seja mais fácil, pois esse é um ambiente seguro, já no ambiente de trabalho é mais difícil já que mexe com a ideia de profissional que as pessoas, e nós mesmos, temos a nosso respeito e por incrível que possa parecer a maioria das empresas busca o cara, ou a mulher, da capa da revista do mês.

Temos que nos lembrar que acima de tudo somos pessoas que se relacionam com pessoas, que assim como nós mesmos são falhos, tem medos, inseguranças e qualidades, muitas qualidades. E que se não soubermos qual é a nossa parcela de responsabilidade nestes relacionamentos, não poderemos fazer diferente, ou melhor.

O primeiro passo, portanto a meu ver é questionar-se, desprendida e corajosamente, sobre o que fazemos e como fazemos. E se preciso pedir ajuda para pensarmos sobre isso.

Abraços e até a próxima.

Por que adoramos o fim do mundo?



Estamos volta e maia, quer dizer meia, encarando o tal do fim do mundo.

Em 1999, quando havia o medo de que o mundo acabasse na virada para o ano 2000, o 'bug do milênio' e o caral.. a quatro, comprei um livro falando dessa nossa vontade de acabar com tudo e relatando outros finais de mundo.

Desde então passamos por mais alguns. Dessa vez foi o fim do calendário Maia, devo admitir que este foi dos mais sinistros que já vi. Programas de TV, documentários, gente ganhando uma grana preta ensinando pessoas a sobreviver e claro a como matar outras pessoas para fazer isso, coisa de norte americano...

Não quero aqui desmerecer o fim do tal calendário acredito que de uma forma ou de outra ele é um marco e como tal poderá ganhar um sentido em nossa história como espécie, mas isso só veremos no futuro.

O que estava pensando era no nosso desejo em que o mundo acabe.

Sim desejo. Parace-me que por trás de todo esse frenesi há o mais puro e verdadeiro desejo de que tudo se acabe. Parece haver uma compreensão, mesmo que velada, de que as coisas não estão bem. De que apesar de agora termos Ipads, Iphones, filmes em 3D, Kindles, carros flex e TVs digitais de tela plana, as coisas não estão bem.

"Ora se as coisas não estão bem não é só consertá-las?" O problema é que nunca é tão simples assim. Consertar coisas como por exemplo: a desigualdade social, a exploração indiscriminada de nossos recursos naturais, o estresse e a ansiedade generalizados que corroem pessoas e relações, irá exigir muito trabalho, determinação e algumas vezes que abramos mão de coisas que gostamos e que nos trazem conforto e praticidade.

Mais fácil um meteoro vir e acabar com tudo. Mais fácil uma raça alienígena super avançada vir e nos escravizar. Mais fácil as placas tectônicas se soltarem e a crosta terrestre virar gelatina. Mais fácil jogar a responsabilidade de mudar as coisas para os outros.

O fato é que o mundo não acabou e ainda estamos aqui, à nossa própria mecê. Vítimas e carrascos de nossas próprias escolhas.

Continua em nossas mãos fazer diferente. Eu mesmo ainda não sei bem o que fazer, ou do que abriria mão, mas continuo acreditando que nós, como seres humanos capazes de nos adaptar às mais adversas situações, encontraremos alternativas.

Um bom mundo novo para você.

Tragédias e Pores do Sol




Tragédias como as de Santa Maria, como a noite que insiste em surgir toda vez que o Sol se põe, trazem à tona a velha questão humana de encarar a própria morte.

É inevitável ao ver tantos jovens mortos, não pensar na própria finitude. Independente da religião que se siga, ou da crença que se tenha sobre o que ocorre após a cessação das funções de seu corpo.

A morte nos assombra e pensar sobre ela é, como diz o psiquiatra e autor Irvin D. Yalon, olhar diretamente para o Sol, só conseguimos fazê-lo por um instante antes de desviarmos os olhos para outra direção.

Porém a morte é ainda mais assustadora para aqueles que não vivem de modo satisfatório a própria vida.

E isso nos leva à algumas questões.

O que estamos fazendo com nossas vidas? Onde você tem investido mais tempo? Tem feito coisas que gosta ou somente as que tem que fazer? Tem visto os amigos? Brincado com seus filhos? Que legado, ou exemplo, você está deixando para trás?

Para todos nós que nos últimos dias temos sofrido junto a essas famílias que perderam seus filhos, irmãos e amigos, talvez seja também um momento de olharmos para nós mesmos e pensarmos o que estamos fazendo com nossa vida, que é tão única, quanto frágil e que pode findar quando menos esperamos. 

E citando Yalon termino dizendo “a morte pode nos destruir, mas a consciência dela pode nos salvar”.(De Frente Para o Sol, Irvin D. Yalon)