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18 de out. de 2013

Fazendo escolhas!



O tempo todo estamos fazendo escolhas: que roupas usaremos, que caminho vamos pegar, o que vamos comer... Algumas são mais fáceis e simples, outras mais complexas, por vezes demandam muito de nosso tempo, energia e reflexão devido a importância e consequências que terão em nossas vidas.

Além de termos que escolher, existe uma pressão muito grande (dentro e fora de nós mesmos!) para "escolhermos a coisa certa"! Eu particularmente não sei muito bem o que isso significa! Uma escolha que nos dê felicidade para sempre? Como isso é possivel se mudamos tanto ao longo do tempo!!??? Uma escolha que não implique nehum tipo de frustração ou aspecto negativo? Como se até mesmo a melhor das alegrias por vezes trazem consigo parte de descontentamento ou estresse (tensão e ansiedade, geralmente com uma conotação negativa). O que, então, significa escolher corretamente????

Penso que não há escolhas certas ou erradas, mas escolhas conscientes, ou seja, aquelas que refletimos sobre as opções de forma realista, sobre as consequencias de nossas escolhas para nós, nosso ambiente a a sociedade e o quanto elas se relacionam com quem somos e o que queremos para nossa vida. Assim, Para sermos capazes de fazer uma escolha consciente é necessário:

·       Maturidade – que varia conforme a escolha a ser feita, por exemplo: para escolhermos a roupa que iremos usar, precisamos de uma maturidade menor do que escolher se devemos nos casar, ou qual carreira seguir. A maturidade, além da capacidade de refletir, envolve também a consciências sobre si mesmos (nos conhecermos).

·        Consciência sobre o que se vai escolher – por exemplo, para escolher um sabor de sorvete, necessitamos conhecer os sabores existentes na sorveteria, para escolher as profissões, precisamos conhecer os cursos, a atuação, perfil do profissional, mercado de trabalho e outros.

·       Fazer renúncias – ao escolhermos uma roupa para usar na festa, estamos dizendo “não” a todas as outras roupas possíveis. Todas as nossas escolhas envolvem um “sim” e diversas renúncias.

·        Assumir responsabilidades – se eu decido que não vou estudar para a prova, sou responsável pelas consequências, como por exemplo, a nota, ou mesmo uma reprovação. Liberdade para escolher envolve ser capaz de se responsabilizar pessoalmente pelas consequências de nossas escolhas.

     Portanto, percebemos que escolher trata-se de um processo de reflexão e decisão complexo, que nos leva a possibilidade de viver de forma autônoma, responsável e consciente.

    Escolher especificamente a profissão significa decidir o que estudar, o estilo de vida que teremos, com o que iremos trabalhar, qual será nosso papel na sociedade e quem queremos ser. Significa construir sua identidade profissional, seu papel no mundo!

Por fim, quero apresentar um pequeno vídeo que elaborei inspirado no filme "Alice no país das maravilhas" de 2010, com direção de Tim Burton. A meu ver, o filme se trata de uma grande metáfora sobre o processo de autoconhecimento e de escolher seu papel no mundo. Sobre como a Alice teve que mergulhar em mundos desconhecidos e profundos (dentro de si mesma na verdade!) para descobrir quem ela é de verdade; descobrir coisas sobre si mesma (suas características, seus desejos...) e reunir a coragem necessária para ser quem ela realmente deseja!

Fica o convite para assistir ao filme com este olhar que proponho. E segue o vídeo para favorecer a reflexão sobre as nossas escolhas.

Abraços.



11 de abr. de 2013

Autoconhecimento

 Foto: Luiz Boscardin

Tenho percebido como o autoconhecimento, além de ser matéria prima no trabalho de psicoterapia, passa também a ser valorizado nas organizações.

O líder de hoje nas organizações não é mais aquele que manda e é obedecido por quem tem juízo. Hoje as pessoas questionam mais, querem saber o porque daquilo que estão fazendo e o mais importante, se não estão felizes no lugar em que estão simplesmente vão embora e arrumam um novo emprego e nesse processo as organizações tem perdido muitos talentos.

No consultório nem se fala, o autoconhecimento é peça chave de todo o processo, pois no final das contas não estamos ali para ‘consertar’, o marido, a esposa, os filhos, o chefe, os pais, etc, estamos ali para refletir, questionar e resignificar como a pessoa que está ali à nossa frente relaciona-se com cada um destes outros atores, para aí sim pensarmos estratégias de como fazer diferente, na expectativa de assim gerar respostas diferentes da outra parte.

Pois bem, mas o que quero discutir aqui e o que venho pensando é como fazer isso? Como dar o primeiro passo em direção ao autoconhecimento?

A resposta que me surgiu pode parecer simples e banal, mas é algo por vezes difícil de se colocar em prática, como todo passo quando estamos lidando com a alma humana.

O primeiro passo é se perguntar: ‘como estou cumprindo as minhas tarefas? Como estou me relacionando com aquela pessoa, ou equipe? Como estou me relacionando com meu chefe, meu pai, esposo, esposa? Será que posso fazer diferente? Será que posso fazer melhor?’

Podemos responder a estas questões de forma rápida e simples: ‘Bem. Muito bem. Excelente. Claro sempre dá pra fazer melhor!’ Se por um acaso você respondeu a estas perguntas de forma rápida e rasteira, bom então a próxima pergunta é: ‘Porque você não está se deixando pensar nem um pouquinho sobre o tema? Do que você está se defendendo?’

Quando nos questionamos estamos admitindo para nós mesmos e para os outros que somos falhos e que não somos perfeitos como gostaríamos de ser, ou que não somos o profissional que a última edição de uma revista diz que eu devo ser para alcançar o sucesso, ou a mãe perfeita para meus filhos, ou qualquer outro modelo ideal de humano que tentam nos empurrar goela abaixo.

Isso no consultório talvez seja mais fácil, pois esse é um ambiente seguro, já no ambiente de trabalho é mais difícil já que mexe com a ideia de profissional que as pessoas, e nós mesmos, temos a nosso respeito e por incrível que possa parecer a maioria das empresas busca o cara, ou a mulher, da capa da revista do mês.

Temos que nos lembrar que acima de tudo somos pessoas que se relacionam com pessoas, que assim como nós mesmos são falhos, tem medos, inseguranças e qualidades, muitas qualidades. E que se não soubermos qual é a nossa parcela de responsabilidade nestes relacionamentos, não poderemos fazer diferente, ou melhor.

O primeiro passo, portanto a meu ver é questionar-se, desprendida e corajosamente, sobre o que fazemos e como fazemos. E se preciso pedir ajuda para pensarmos sobre isso.

Abraços e até a próxima.