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2 de out. de 2013

O que é terapia?



Essa é uma pergunta para a qual existem inúmeras respostas técnicas de especialistas muito mais gabaritados que eu, portanto não cairei no erro de tentar explicar de forma técnica o que é a terapia psicológica, darei a minha interpretação deste processo.

Da forma como eu compreendo, e trabalho, terapia é um processo de despertar para a vida.


Nos anos em que venho atuando na área clínica tive a oportunidade e o privilégio de trabalhar com pessoas que chegaram desesperançadas, perdidas, prisioneiras de seus próprios medos, de seu passado e de compromissos assumidos sabe-se lá quando, com quem ou porque, mas mesmo nos piores casos, é possível enxergar a vida pulsando lá dentro, um pequeno fragmento de vida que brilha dentro de um sonho, de um desejo ou um projeto.

E é para lá que caminhamos. A partir de um processo de autoconhecimento, apoio, questionamentos, rememoração e ressignificação do passado, trazendo para o presente fatos deste passado, mas que continuam interferir na vida cotidiana.

Nesta jornada encontramos demônios que muitas vezes não gostamos de encarar, mas também lembramos dos pontos fortes e qualidades que a pessoa possui e pode não estar valorizando devido ao seu momento atual, além disso oferecemos novas interpretações e pontos de vista sobre fatos, sentimentos e sensações.

Portanto terapia não é um trabalho fácil, mas com muitos benefícios não só ao final do processo, mas ao longo do caminho. 

Para finalizar gostaria de dizer o que digo a todos com quem trabalho, terapia não é só uma hora na semana no consultório, mas um processo que leva uma vida e que em alguns momentos precisaremos de ajuda de um profissional, para que possamos viver a nossa vida de forma mais saudável, equilibrada e de acordo com quem somos e sonhamos ser.

11 de abr. de 2013

Autoconhecimento

 Foto: Luiz Boscardin

Tenho percebido como o autoconhecimento, além de ser matéria prima no trabalho de psicoterapia, passa também a ser valorizado nas organizações.

O líder de hoje nas organizações não é mais aquele que manda e é obedecido por quem tem juízo. Hoje as pessoas questionam mais, querem saber o porque daquilo que estão fazendo e o mais importante, se não estão felizes no lugar em que estão simplesmente vão embora e arrumam um novo emprego e nesse processo as organizações tem perdido muitos talentos.

No consultório nem se fala, o autoconhecimento é peça chave de todo o processo, pois no final das contas não estamos ali para ‘consertar’, o marido, a esposa, os filhos, o chefe, os pais, etc, estamos ali para refletir, questionar e resignificar como a pessoa que está ali à nossa frente relaciona-se com cada um destes outros atores, para aí sim pensarmos estratégias de como fazer diferente, na expectativa de assim gerar respostas diferentes da outra parte.

Pois bem, mas o que quero discutir aqui e o que venho pensando é como fazer isso? Como dar o primeiro passo em direção ao autoconhecimento?

A resposta que me surgiu pode parecer simples e banal, mas é algo por vezes difícil de se colocar em prática, como todo passo quando estamos lidando com a alma humana.

O primeiro passo é se perguntar: ‘como estou cumprindo as minhas tarefas? Como estou me relacionando com aquela pessoa, ou equipe? Como estou me relacionando com meu chefe, meu pai, esposo, esposa? Será que posso fazer diferente? Será que posso fazer melhor?’

Podemos responder a estas questões de forma rápida e simples: ‘Bem. Muito bem. Excelente. Claro sempre dá pra fazer melhor!’ Se por um acaso você respondeu a estas perguntas de forma rápida e rasteira, bom então a próxima pergunta é: ‘Porque você não está se deixando pensar nem um pouquinho sobre o tema? Do que você está se defendendo?’

Quando nos questionamos estamos admitindo para nós mesmos e para os outros que somos falhos e que não somos perfeitos como gostaríamos de ser, ou que não somos o profissional que a última edição de uma revista diz que eu devo ser para alcançar o sucesso, ou a mãe perfeita para meus filhos, ou qualquer outro modelo ideal de humano que tentam nos empurrar goela abaixo.

Isso no consultório talvez seja mais fácil, pois esse é um ambiente seguro, já no ambiente de trabalho é mais difícil já que mexe com a ideia de profissional que as pessoas, e nós mesmos, temos a nosso respeito e por incrível que possa parecer a maioria das empresas busca o cara, ou a mulher, da capa da revista do mês.

Temos que nos lembrar que acima de tudo somos pessoas que se relacionam com pessoas, que assim como nós mesmos são falhos, tem medos, inseguranças e qualidades, muitas qualidades. E que se não soubermos qual é a nossa parcela de responsabilidade nestes relacionamentos, não poderemos fazer diferente, ou melhor.

O primeiro passo, portanto a meu ver é questionar-se, desprendida e corajosamente, sobre o que fazemos e como fazemos. E se preciso pedir ajuda para pensarmos sobre isso.

Abraços e até a próxima.